Escrito por Vanessa Huback
Se sua empresa é atendida em média ou alta tensão, é possível que parte do valor pago todos os meses esteja relacionada a dois componentes que muitas vezes ficam escondidos entre siglas, tarifas e encargos técnicos: a demanda contratada e a cobrança por energia reativa excedente, popularmente conhecida como multa de energia reativa. Esses valores podem representar uma fatia relevante da fatura de energia, sem que a empresa perceba a origem do problema.
Quem são os consumidores do Grupo A?
Os consumidores do Grupo A são, em regra, unidades atendidas em tensão igual ou superior a 2,3 kV. Nesse grupo estão principalmente indústrias, hospitais, shopping centers, supermercados, hotéis, grandes comércios e edifícios com maior necessidade de potência. Essas unidades normalmente possuem transformador, cabine ou subestação para adequar a tensão recebida da rede aos níveis utilizados pelos equipamentos internos.
Diferentemente dos consumidores residenciais, classificados principalmente no Grupo B, a fatura do Grupo A é mais complexa. Além da energia consumida (kWh), ela considera dois componentes que não existem na conta de um cliente residencial: a demanda contratada e a energia reativa.
O que é a demanda contratada?
A demanda contratada é o valor de potência (kW) que o cliente contrata previamente junto à distribuidora. Esse valor representa a capacidade que a rede precisa manter disponível para atender ao funcionamento simultâneo dos equipamentos da unidade, mesmo que ela não seja utilizada integralmente durante todo o mês.
Ela pode ser comparada ao número de vagas que um shopping reserva em seu estacionamento. Mesmo que nem todas as vagas estejam ocupadas na maior parte do tempo, o shopping precisa manter aquela capacidade disponível para os horários de pico, como finais de semana e feriados. Do mesmo modo, o valor da demanda contratada é cobrado integralmente todo mês, independente do quanto a empresa realmente utiliza.
Quando a demanda medida ultrapassa a contratada além de uma margem de tolerância (geralmente 5%), a distribuidora aplica uma multa por ultrapassagem sobre o excedente, cobrando, nessa parcela, uma tarifa mais alta, geralmente o dobro da tarifa normal de demanda. O oposto também gera desperdício: contratar demanda muito acimada necessidade real significa pagar, todo mês, por uma capacidade que a empresa nunca usa, como manter vagas de estacionamento reservadas para um movimento que nunca chega.
O que é energia reativa?
Além da demanda, os clientes do Grupo A também são cobrados pela qualidade do uso da energia, medida pelo fator de potência, que a ANEEL exige seja igual ou superior a 0,92.
A energia reativa funciona como a espuma de um chopp. O líquido representa a energia ativa, efetivamente utilizada para produzir trabalho, isto é, movimentar máquinas, acender lâmpadas, operar equipamentos. A espuma representa a energia reativa, necessária ao funcionamento de equipamentos como motores, transformadores, bombas, compressores, elevadores e sistemas de climatização, mas que não realiza trabalho diretamente. Assim como o excesso de espuma ocupa espaço no copo e reduz a quantidade de chope aproveitável, o excesso de energia reativa ocupa a capacidade da rede elétrica e reduz sua eficiência.
Quando esse excesso ultrapassa o limite regulatório, a distribuidora aplica a cobrança adicional conhecida como multa de energia reativa, uma penalidade por ineficiência no uso da energia.
Quanto essas cobranças pesam na fatura
Segundo estimativas do setor, a multa de energia reativa isolada pode representar cerca de 1% a 5% da fatura em situações moderadas e chegar a 10% ou mais, dependendo do grau de desvio do fator de potência, enquanto o mau dimensionamento da demanda contratada, somando ultrapassagens e capacidade ociosa, costuma ser de aproximadamente 2% a 8% da fatura, podendo superar 10% em casos recorrentes.
Juntas, essas duas cobranças frequentemente respondem por uma fatia de 5 a 15% do valor total da fatura, desperdício que poderia ser eliminado com um diagnóstico simples, mas que segue sendo pago mês após mês por falta de visibilidade.
Como reduzir esses custos?
A otimização da demanda contratada começa pela análise das faturas e da curva de carga da unidade. Essa análise permite identificar picos, períodos de maior utilização, sazonalidades e horários em que grandes equipamentos funcionam simultaneamente. Com essas informações, é possível avaliar se o valor contratado está adequado e solicitar seu ajuste junto à distribuidora, reduzindo a capacidade ociosa sem aumentar excessivamente o risco de ultrapassagem.
No caso da energia reativa, uma das soluções mais utilizadas é o banco de capacitores. O equipamento fornece localmente parte da energia reativa necessária aos motores e transformadores, reduzindo a quantidade solicitada da rede e melhorando o fator de potência. Para funcionar corretamente, entretanto, o banco precisa ser dimensionado de acordo com a carga real da unidade e receber manutenção periódica. Um equipamento mal dimensionado, defeituoso ou inadequado ao perfil de consumo pode não eliminar a cobrança e até provocar excesso capacitivo.
Descubra onde sua empresa pode economizar
A TYR Energia faz o diagnóstico completo da fatura dos seus clientes, dimensionando a demanda contratada de acordo com a curva de consumo real e analisando o comportamento da energia reativa. Com a solução TYR Eficiência Reativa, a TYR dimensiona e adquire o banco de capacitores, realiza as manutenções necessárias e envia relatórios periódicos ao cliente, sem investimento inicial. O cliente paga apenas uma mensalidade, que representa uma fração do valor que hoje é pago em multa.
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