O que é?
A tarifa horária é um modelo em que o preço da energia elétrica varia conforme o período do dia. Nos horários com maior disponibilidade de energia e menor pressão sobre o sistema, a tarifa tende a ser mais baixa. Já nos momentos de maior demanda, o valor pode ser mais elevado.
O objetivo é incentivar consumidores a transferir parte do consumo para períodos mais favoráveis. Empresas podem, por exemplo, programar máquinas, sistemas de climatização, refrigeração ou carregamento de baterias para os horários em que a energia custa menos.
Esse modelo pode ser considerado uma modalidade de tarifa dinâmica. A diferença é que, na tarifa horária, os períodos e preços são definidos antecipadamente. Nas tarifas totalmente dinâmicas, os valores podem mudar diariamente ou até de hora em hora, acompanhando mais diretamente as condições do mercado e da operação do sistema.
Por que o tema ganhou importância?
A expansão da geração solar alterou a dinâmica do sistema elétrico brasileiro. Durante o dia, especialmente entre o fim da manhã e o início da tarde, há maior oferta de energia solar. No início da noite, essa geração diminui rapidamente, enquanto o consumo permanece elevado ou aumenta.
Os sistemas de armazenamento de energia por baterias, conhecidos como BESS, podem ajudar a equilibrar essa diferença ao armazenar a energia excedente durante o dia e disponibilizá-la posteriormente. No entanto, a adoção dessa tecnologia ainda é incipiente no Brasil.
Nesse contexto, a tarifa horária surge como uma ferramenta complementar para ampliar a flexibilidade do sistema. Ao tornar a energia mais barata nos períodos de maior oferta, o modelo incentiva o deslocamento do consumo para os momentos mais favoráveis.
Com isso, é possível aproveitar melhor a geração renovável, reduzir a pressão sobre a rede, diminuir o acionamento de fontes mais caras e contribuir para uma operação mais eficiente do sistema elétrico.
Quanto é possível economizar?
A economia depende do perfil de consumo e da capacidade de cada unidade de transferir atividades para os períodos mais baratos. Experiências internacionais indicam que consumidores com flexibilidade podem alcançar economias próximas de 8% a 12% na conta de luz, variando de acordo com a diferença de preços entre os períodos, a curva de carga e a quantidade de consumo que pode ser reorganizada.
O que já existe no Brasil?
Na baixa tensão, o principal exemplo é a Tarifa Branca, que possui três faixas de preço nos dias úteis: ponta, intermediário e fora de ponta. A energia é mais cara na ponta e mais barata fora dela. Nos fins de semana e feriados, aplica-se o valor fora de ponta durante todo o dia. Essa tarifa teve baixa adesão até o momento.
Os consumidores do Grupo A, atendidos em média e alta tensão, também já possuem diferenciação entre os horários de ponta e fora de ponta por meio das modalidades tarifárias Verde e Azul.
Esses modelos mostram que a diferenciação de preços ao longo do dia já faz parte do setor elétrico brasileiro. O avanço da tarifa horária representa uma oportunidade de ampliar essa lógica e aproximar os preços da nova realidade da geração e do consumo de energia.
O que está sendo discutido pela ANEEL?
No fim de 2025, a ANEEL abriu a Consulta Pública nº 46/2025 para discutir uma nova estrutura de Tarifa Branca, apresentada como tarifa horária.
O foco inicial são as unidades consumidoras de baixa tensão com consumo mensal igual ou superior a 1.000 kWh. Segundo a Agência, esse grupo reúne aproximadamente 2,5 milhões de unidades e representa cerca de 25% da energia consumida na baixa tensão.
O novo modelo ainda não foi implementado nacionalmente, mas representa um avanço importante na modernização do setor. A proposta busca estimular o consumo nos períodos de maior oferta de energia renovável e reduzir a demanda nos horários mais críticos. Quando combinada com monitoramento e tecnologia, a tarifa horária permite que equipamentos sejam programados para operar nos períodos de menor custo.
Mais do que estabelecer preços diferentes ao longo do dia, esse modelo cria uma relação mais moderna entre o consumidor e o sistema elétrico. Para quem possui flexibilidade, representa uma oportunidade de reduzir despesas. Para o setor, contribui para aproveitar melhor a geração solar, reduzir desperdícios e tornar a operação mais eficiente.
